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Fiocruz desenvolve sensor ótico para câncer de colo de útero

No Brasil, o câncer de colo do útero é o terceiro tumor mais frequente entre as mulheres, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). Iniciado a partir de lesões precursoras que não apresentam qualquer sintoma, há um risco estimado de 15,58 casos a cada 100 mil mulheres e estimam-se 16.340 novos casos somente em 2016. Em contrapartida, nem sempre estas lesões, decorrentes do vírus HPV, tornam-se câncer. Para identificá-las com maior precisão e diminuir a necessidade de biópsia, o Laboratório de Comunicações Quânticas, do Centro de Estudos em Telecomunicações (Cetuc) da PUC-Rio, em parceria com o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) e o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), iniciaram um projeto para desenvolver um sensor ótico capaz de dar suporte ao médico ginecologista no diagnóstico de câncer de colo do útero e de suas lesões precursoras.

O projeto foi aprovado no edital Pensa Rio 2015, da Faperj, e conta com um financiamento de R$ 900 mil pelos próximos três anos. Pesquisador do Cetuc/PUC-Rio e coordenador do projeto, Jean Pierre Von Der Weid está responsável pelo desenvolvimento de um sensor que será acoplado a um tomógrafo. “Este é o maior desafio do projeto: o sensor será o “olho” do médico”, revela Von Der Weid. Ao utilizar a tomografia ótica, chamada OCT (optical coherence tomography), o sensor será equipado com uma câmera e uma sonda. Esta sonda permitirá um exame equivalente à microscopia, permitindo ao médico uma avaliação em tempo real do tecido do colo do útero. “O que a gente vai fazer é uma ponta de prova, um sensor que se adapta ao tomógrafo, do tamanho de uma caneta, vai na mão do médico que olhará a superfície que está desconfiando, obtendo uma imagem. Ele vai decidir se opera ou não em função desse resultado”, explicou Von Der Weid.

A primeira fase do projeto, já em andamento, é a correlação entre as características microscópicas e as imagens tomográficas das amostras biológicas fornecidas pela equipe do IFF/Fiocruz. Ao confrontar as imagens tomográficas ao método diagnóstico habitual (microscopia ótica), será possível entender a linguagem do tomógrafo e interpretar suas imagens, estabelecendo um padrão que corresponda à doença vista na biópsia. Anatomopatologista do IFF e pesquisadora do projeto, Cecília Vianna de Andrade informa que “a biópsia é efetuada quando o médico ginecologista/colposcopista tem dúvida se o que ele está vendo de fato precisa de intervenção”. Jean Pierre Von Der Weid ressalta que esta é uma etapa de aprendizado. “Estamos trabalhando com teciduação, identificando regiões do colo do útero para reconhecimento posterior”, disse.

Ginecologista e colposcopista do IFF, e também colaborador no projeto, Fábio Russomano reforça que ainda estão na primeira etapa do processo. “Estamos oferecendo fragmentos de úteros saudáveis. Se observarmos correlação entre as imagens obtidas pela OCT e pela microscopia ótica, partimos para a etapa seguinte, que será o reconhecimento de tecidos doentes em diferentes níveis, justamente para chegarmos a padrões de imagens diagnósticas a serem aplicados durante o exame das mulheres com suspeita de serem portadoras do câncer do colo do útero ou de suas lesões precursoras”, explicou.

Russomano esclarece a importância de uma tecnologia como esta. “Em função das diversas etapas que a paciente precisa cumprir para descobrir se tem uma lesão que precisa de tratamento para evitar o câncer ou se tem um câncer inicial — fazer o preventivo, pegar o resultado, se o resultado estiver alterado, fazer a colposcopia e, em algumas situações, aguardar também o resultado de outros exames para definir o tratamento — ter um exame que me dê o resultado na hora, é uma evolução”, afirmou. Dessa forma, o sensor de OCT traria uma informação adicional durante o exame, auxiliando na identificação das áreas de maior gravidade e na avaliação de áreas de difícil visualização. O médico alerta ainda que o preventivo é indicado para mulheres de 25 a 64 anos e que os dois primeiros devem ser feitos anualmente. Após dois exames negativos, o preventivo deve ser realizado a cada três anos. “A ideia do rastreamento é identificar quem tem maior risco de uma lesão que tenha probabilidade significativa de progredir e cujo tratamento fará diferença na vida da mulher, impedindo que venha a ter câncer de colo do útero no futuro”, disse.

Na fase final do projeto, o Inmetro será responsável pela calibração e validação dos resultados. Sua função será fornecer a rastreabilidade metrológica ao sistema OCT usando seus padrões de referência e prover níveis de confiança às medições realizadas no projeto. Pesquisadora do Inmetro e colaboradora do projeto, Iakyra Couceiro reforça que “a experiência do Inmetro na área de Tomografia de Coerência Óptica (OCT), na análise estatística e na avaliação da incerteza de medição, além da atuação junto com os pesquisadores do Cetuc/PUC-Rio na medição de amostras biológicas no sistema OCT, será fundamental para validar todos os processos”.

“Se todas as etapas forem bem sucedidas, teremos uma porta aberta para tudo que existe de desenvolvimento industrial e prototipagem. Teremos dado o primeiro passo, confirmando a viabilidade de um método auxiliar fundamental para um processo menos invasivo para as mulheres e um diagnóstico ainda mais preciso do câncer de colo de útero por parte dos médicos”, finaliza Jean Pierre Von Der Weid, do Cetuc/PUC-Rio.

 

Fonte: Blog da Saúde
 
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